Dias bons e dias ruins em uma viagem pela Alemanha



Estava com o café pronto na mesa. Procurei o meu pão de forma branquinho, comum e delicioso, mas quando me viu pegá-lo, meu primo mandou que eu o guardasse para que aproveitasse o pão preto que era muito mais nutritivo e de melhor qualidade. Quase não acreditei, porém, para satisfazê-lo, sacrifiquei-me e comi.

Como ainda estava nublado e um pouco fresco, coloquei uma calça jeans. No entanto, por via das dúvidas, decidi levar um short me precavendo, caso o tempo melhorasse com o passar do dia.

A exemplo da véspera, saímos juntos, porém cada um seguiu diferentes caminhos. Quando eu estava chegando à estação ferroviária ainda em Wesslin, ouvi João Roberto gritar meu nome. Olhei para trás e vi meu primo vindo de bicicleta, acenando desbragadamente. Aproximou-se, prendeu o “camelo” com um cadeado num local próprio para isso e disse:

– Apesar de estar cheio de coisas a fazer, não é sempre que recebo um primo em minha casa. Resolvi tirar o dia de folga para passear com você – então saímos correndo, pois o trem já vinha chegando.

Fiquei muito feliz, afinal, era bom ter uma companhia de vez em quando, especialmente falando a mesma língua e com a mesma mentalidade.

Fomos primeiro ao centro de Munique. Caminhamos pela Kaufingerstrasse, onde só poderiam entrar pedestres e ali constatei que era o lugar onde se concentravam as mulheres mais bonitas do mundo, pelo menos do pescoço para cima. Elas eram demais, cada uma que passava por mim eu achava maravilhosa e, com uma atitude tipicamente masculina, virava o rosto para seguir seus passos. Na verdade, às vezes, me decepcionava com a parte dos fundos, mas quando voltava o meu olhar para a frente, já avistava outra que me parecia mais bonita ainda e tornava a persegui-la com o olhar. Tal comportamento se repetiu até o fim da rua, tornando este lugar da Alemanha inesquecível.

Ao meio-dia, o sol apareceu de vez, trazendo o calor possibilitando-me tirar mais fotos também. Já fazia vários dias que não usava minha máquina fotográfica como eu gostaria Estávamos diante da Prefeitura, que, por si só, já era uma atração turística pela sua arquitetura gótica. De qualquer maneira, nosso objetivo principal ali era ver a dança dos bonecos, atração com hora marcada, tradicional para os turistas visitando esta cidade. Interessante, mas nada de especial.

Andamos um pouco mais e chegamos à catedral, esta sim, bem diferente: era mais estreita do que a maioria das outras igrejas, talvez por isso passava a impressão de que as torres eram muito mais altas, além de terem as pontas arredondadas em vez de pomadas. “Para variar”, entrei, rezei e fiz meus pedidos. Como João Roberto não sabia a que horas acabaria a visita ao campo de concentração, decidimos ir logo. Na verdade, esse lugar, para mim, era a atração mais importante da cidade.

Enquanto nos dirigíamos para lá, contei-lhe que minha vontade era partir cedo no dia seguinte para Innsbruck e depois seguiria para a Escandinávia. Pegamos o metro e depois um trem que era um “meio metro”. O calor nessa hora estava insuportável, por isso perguntei a meu primo se havia um banheiro onde pudesse trocar a calça pelo short. Com toda naturalidade, ele me disse que poderia trocar ali mesmo, ao lado da porta, onde teria mais espaço. Eu não conseguia acreditar:

– Você deve estar de sacanagem comigo! – exclamei, fazendo cara de surpresa.

– Estou falando sério. Aqui ninguém se importa com o que você está fazendo, somente se você for agressivo ou exibicionista. Pode trocar de roupa que eu garanto – disse ele, cm tom grave. Meu primo não brincaria com uma coisa dessas.

Temendo um pouco, fui até perto da porta, tirei a calça numa velocidade impressionante e, no momento de colocar o short, olhei para as pessoas que estavam a minha volta. Ninguém nem sequer fazia menção de olhar para mim. Lembrei-me de Katka e Djana que haviam feito mais ou menos a mesma coisa em Nápoles, apesar de que, daquela vez, estávamos num ambiente fechado.

 


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