Paradise Beach: uma experiência fantástica

Estava me encaminhando ao barco que iria a Paradise Beach, quando o capitão me indicou onde deveria deixar minha mochila pesada para não ter de carregá-la até a praia. Não acreditando no que acabara de ouvir, voltei a perguntar ao barqueiro onde seria esse lugar.

– Ali perto da fonte – tornou a repetir, em tom sério.

– Mas ali não há nada – questionei, humildemente.

– Quando voltar haverá – respondeu, com confiança.

Mesmo não acreditando, obedeci. Coloquei a mochila no meio da praça. Não estava certo do que estava fazendo, contudo, como não havia nada de valor ali que pudesse ser roubado, resolvi arriscar. Depois, não havia mais tempo. O barquinho estava zarpando e tive de correr para pegá-lo.

Enquanto navegávamos em direção a Paradise Beach, pensei em Heide. Estava triste, pois parecia que éramos namorados havia muito tempo. Tudo aconteceu rapidamente: em quatro dias, houve a conquista, badalação na discoteca, desapontamento no dia seguinte, pedido de desculpas, discussões e fizemos amor.

Penso que houve certo compromisso, mas, infelizmente, essas desventuras faziam parte das histórias na Europa. Viajar não era sinônimo apenas de alegria.

Avistei o grupo de austríacos e logo me aproximei. Senti um ar de desaprovação, no entanto, não me senti culpado Heide veio correndo, pegou-me pela mão e fomos dar uma volta. Ao nos afastarmos, algumas pessoas disseram frases soltas, cujo significado, apesar de não ter entendido, poderia até imaginar…

Heide me contou que o grupo havia ficado bastante desconfiado em relação ao que acontecera na véspera e estavam todos-aborrecidos, fator determinante para que não tivessem ido à discoteca, e completou traduzindo esses últimos comentários, pedindo que ela não saísse de Paradise Beach.

Respondi, bruscamente:

-O que há? O que todos têm a ver com isso? E o que têm contra mim? – perguntei em tom agressivo. Depois, continuei dizendo – Não precisa responder, não importa mais…

– completei, baixando a cabeça.

Ficamos por um minuto em silêncio. Seu rosto demonstrava certa apreensão. Era uma situação constrangedora, muito difícil de explicar, porém, não adiantava tentar enganá-la.

Era necessário expor os fatos.

– Sinto muito, Heide, mas resolvi ir embora… – disse de modo direto, talvez até demais. Seus olhos se encheram de lágrimas. Mesmo assim, continuei – Calma, que vou lhe explicar.

Naquele momento, fui interrompido bruscamente por Heide:

– Já sei, não precisa explicar. Já conseguiu o que queria, certo? Pode ir embora. Tchau… Está esperando o quê? Pode ir…

– respondeu, de maneira debochada, porém, em seu íntimo, sentindo muita raiva.

– Não é assim. Se vim até Paradise Beach é porque me importo com você. Estou triste também – disse, tentando melhorar a situação.

– Imagino… Está querendo me ver chorar, mas não vou lhe dar essa alegria- ela respondeu, a princípio, num tom irônico, tornando-se enraivecido.

– Heide, me escute. Ontem, na discoteca, conheci um pessoal (achei melhor não dizer que eram três garotas) que está indo para Istambul. Você, que é uma amante de viagens tanto quanto eu, sabe muito bem das dificuldades de se visitar um país como a Turquia. Desculpe-me, mas não poderia perder esta chance. Porém, realmente gostei de você. Vim me despedir, no entanto, por pouco tempo. Quero seu endereço, pois, com certeza, irei à Áustria e, ao chegar lá, quero poder falar com você. Ou prefere não me dar?

Percebi, então, que as lágrimas escorriam pelo seu rosto.

Heide comentou, em seguida:

– Que azar o meu! Bastou deixar você uma noite sozinho na discoteca que logo arranjou algo melhor pra fazer. É, foi minha culpa. Estava tão feliz. Briguei com todos por sua causa. Achei você uma pessoa tão especial…

Baixou a cabeça, tentando disfarçar o choro.

Abracei-a, contudo mantive-me atento, temendo levar outra porrada no pé. Infelizmente, o clima estava muito ruim.


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