Veneza: imagine um passeio por uma cidade inteira flutuante



Chegando a Veneza, enchi meus pulmões, mas resolvi não gritar, apenas pensei: “Veneza, aqui estou eu de novo!!!”

Pouco depois, já me via passeando por entre os canais da cidade mais pitoresca e especial da face da Terra. O fato de não circularem carros por ali e, ao invés disso, o transporte ser todo feito de barco, era algo para se admirar sempre. E, enquanto caminhava e passava por pontes dos mais diferentes tipos e tamanhos, observando a arquitetura dos edifícios, apaixonava-me cada vez mais. Como poderia haver tanta arte em um só lugar?

Essa pergunta vinha várias vezes à minha mente e me deixava intrigado quanto à resposta. Chegar à Praça São Marco, o melhor de todos os lugares de Veneza, era puro prazer. Estava lá um guia que dizia que os cavalos colocados na fachada da Catedral de São Marco tinham sido levados por Napoleão e somente depois da guerra haviam sido devolvidos.

Imaginei que aquilo acontecera apenas porque o imperador francês, em seu desejo mais profundo, queria levar toda a cidade, porém, vendo a impossibilidade de realizar sua vontade, pegou os cavalos como um símbolo da cidade mais bela do mundo. Como o dia estava muito claro e ensolarado em relação à minha última passagem pela cidade, distribuí diques de minha máquina fotográfica para todos os lados.

Era impressionante a diferença do meu astral agora em comparação com a primeira vez que estivera ali. Apesar de ter admirado e curtido a primeira visita, desta vez coloquei Veneza quase como um ponto “sagrado” do mundo. Estava deslumbrado, feliz, sem destino, sem itinerário, apenas caminhava descontraído, apreciando todo e qualquer detalhe desta maravilha construída pelo Homem. Num dado momento, parei e pensei em voz alta:

– Dizem que a Natureza é perfeita, pois Veneza prova que o ser humano também o é.

Depois de passear muito, lembrei-me de minhas necessidades físicas, pois a fome estava apertando e com certa razão, afinal, passavam das 16 horas. Mesmo tendo feito um lanchinho com as compras que fizera em Salzburgo, precisava de uma comida quente.

Como tinha adorado a pizza da última vez, resolvi voltar ao pequeno restaurante, bom e barato, adequado às minhas necessidades.  Enquanto devorava esse típico prato italiano, um senhor aproximou-se de mim e puxou conversa. Suas histórias eram muito interessantes e sua cultura geral era admirável, a ponto de me surpreender com informações sobre meu próprio país.

Após as apresentações (ele se chamava Marcello), seguimos juntos de volta à Praça de São Marco, quando recomendou-se um programa diferente: dar milho aos pombos. Foi divertido ter quatro, cinco, talvez sete ou oito pombos em cima de mim. Lembrei-me de Londres, naTrafalgar Square, onde fizera a mesma brincadeira.

Em seguida, passando por outras partes da cidade, tive uma daquelas minhas ideias “mirabolantes”. Entreguei minha câmera fotográfica a Marcello e me dependurei num poste que ficava a cerca de um metro da beirada. Ele fez o que eu pedi, tirou a foto, porém, depois, eu não conseguia voltar à borda.

Fiquei com medo de cair na água suja. Embora estivesse absolutamente apaixonado pela cidade, não me iludia com a falta de limpeza das águas, cujo odor, de qualquer modo, não me deixava negar. Meu amigo italiano foi buscar ajuda.

Entretanto, levou minha máquina com ele. Daí, pensei: que cena ridícula, eu dependurado num poste em Veneza e um senhor de seus 65 anos roubando minha máquina fotográfica sem que eu pudesse fazer nada. Seria uma história para eu nunca mais sair de casa.

Felizmente, voltou dois minutos depois, com outro rapaz bem forte para fazer uma alavanca, sem me deixar cair. Dito e feito, apesar de no fim quase ter escorregado e tornado um banho forçado, conseguir escapar.


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